Que semana!

Não vou ficar dando voltas, como de costume. Este post vai ser o mais objetivo possível, não por preguiça de escrever, mas para evitar que você tenha de ler. E também por ter muita coisa pra contar.

Sem mais delongas, esta foi uma semana agitada. Já de início toda a expectativa para saber se tinha passado ou não na seleção da pós-graduação (pontuando, Marília já está cursando a dela há uma semana! Parabéns para ela!). Nada de me ligarem para dizer se havia passado ou não. Sem agüentar, resolvi ligar e perguntar. Sabe o que me disseram? Que não só já tinha saído o resultado há alguns dias, como eu tinha passado. E que só faltava mais um dia para fazer a matrícula, ou perderia o direito! Mas deu tudo certo, tudo resolvido. Agora é penar para acompanhar, mas isso já é coisa pra pensar depois.

Lembra que falei no post anterior de alguns benefícios da cidade grande? Pois esta semana fui ao cine Odeon assistir à pré-estréia de O Cheiro do Ralo, do livro de Lourenço Mutarelli. Muito bom este filme, vale muito a pena ir ver, recomendo.

Enquanto pensava no que escrever desta vez e lia meus e-mails, recebi um comentário de um colega e amigo, chamado Nelson, sobre o filme. E, como está muito bem escrito, resolvi posta-lo para que você tenha uma idéia de como é.

O Cheiro do Ralo
Assistir O Cheiro do Ralo na terceira fila deu um sentido a mais, porque é a
 visão do próprio ralo. O lugar ideal para se assistir à decadência moral de 
Lourenço, um agiota dono de uma loja de penhores. 
Metido num muquifo da última categoria, ele atende os pedintes que trazem relíquias em troca de avaros trocados. Uma pessoa que aprendeu a sublimar os sentimentos para poder desprezar os outros seres humanos e negociar melhor. 
Justifica-se a todos que o cheiro que sentem vem do ralo atrás dele. 
Acredita a certa altura que os ralos são as portas do inferno. Lourenço é, literalmente, o porteiro do inferno, o último degrau antes da decadência total. Ele toca o balcão do inferno. O oposto da Porta da Esperança. Incapaz de amar, transforma seus relacionamentos em transações. Vai pelo ralo, escorre pro esgoto, entra pelo cano. Selton Melo contracena com uma sucessão infindável de figurantes que fazem o papel dos clientes da loja. Um melhor que o outro. Parece competição. Cada cena é um “sketch” com um figurante. Parece também comédia. Mas obviamente, é uma tragédia. O filme transita de um clima para outro lentamente, escorre de fato de um lado humorado para outro sombrio. Baseado no livro de Lourenço Mutarelli, dirigido por Heitor Dhalia, um desafio que tem tudo para dar errado, mas que na mão desse Dhalia parece dar certo. Ele já fez Nina, do mesmo autor. E Selton Melo se firma como o anti-herói que o Brasil precisava. Linguagem moderna, bom entretenimento, envolvente, mas apenas lembrando a todos que termina pesado e escatológico…
Nelson

Muito bom, Nelsão, parabéns.

Depois ainda rolou um coquetel, patrocinado pela Sagatiba (1). Podia ser melhor? De graça, com o elenco inteiro lá, vários outros artistas e famosinhos, em um cinema legal, próximo ao metrô, e ainda dando Sagatiba (2)? Podia! Aliás, pôde! Tinham várias meninas ensinando formas de apreciar a Sagatiba (3), e aprendi uma sensacional: morango, banhado a açúcar apimentado (isso, apimentado!), e Sagatiba (4) envelhecida. Recomendo isso também. Aliás, recomendo qualquer Sagatiba (5).

Sei que está na moda isso de blog patrocinado, mas dou a palavra que o meu ainda não é. Se quiser fazer alguma doação, ótimo, mas por enquanto ainda não tem ninguém pagando para o escriba aqui falar bem – ou mal – de nada! Eu gosto mesmo da Sagatiba (6).

Finalmente, chegou onde queria. Esperei o post inteiro para chegar aqui neste tema, o ponto máximo, a apoteose.

perfeito

Já havíamos anunciado duas vezes que iríamos para o show de Roger Waters e, na verdade, nem estávamos muito anciosos. Chegamos até a desistir de comprar os ingressos por conta de grana. Já pensou na besteira teríamos feito?

Por conta de um atraso na entrega de material, acabei ficando até mais tarde do que pretendia no trabalho, o que me impediu de ir em casa tomar banho, descansar um pouco e trocar de roupa (lembra do post anterior, sobre desvantagens de cidade grande?).

Então, na falta de opção, esperei Marília chegar para seguirmos até a Praça da Apoteose, o lugar do show. E lá fomos nós. Metrô até a Praça Onze, caminhada até a entrada do show e pronto, lá estávamos nós, vislumbrados com o tamanho do lugar. Até então, estávamos animados por ver o show ‘do cara’, mas nada demais.

Bastante gente e sempre aparecendo mais. E mais. E mais. Mas nada demais. Nada insuportável ou quente demais.

O cenário era, até então, muito interessante. Uma garrafa de Johnny Walker (Red Label), uma radiola nostálgica, um copo de vidro, um cinzeiro e um aviãozinho de brinquedo em cima da radiola. Todos gigantes e muito bem feitos. Muito interessante, mas nada demais.

perfeito

É, nada demais. Nada demais? Nada demais é o cacete! De repente entra uma mão enorme e pega o copo, que estava com wisky, e deixa um cigarro em cima do cinzeiro, soltando fumaça. Mas como assim? Não era um cenário? Aquilo não eram apenas peças gigantescas muito bem feitas? Foi então que todo mundo se tocou que não era cenário montado, mas um telão imenso. Mas imenso MESMO, e de uma resolução absurda. Neste momento, a gente estava na fila do banheiro, mas quem é louco de perder qualquer interação com o público por causa de uma coisa supérflua como urinar?

Corremos para o centro do espaço, de frente para o palco e 2 telões, e começamos a prestar atenção a todo e qualquer detalhe no palco.

Desde o início, quando chegamos (e acredito que desde antes disso, claro), só tocava som bom. Nada muito expressivo, com exceção de Bob Dylan, mas só som bom.

Depois de toda essa interação, sabe quem trocou o som ambiente? Pois é, a tal mão no aparelho de som. Muito bom! Que idéia simples e sensacional. A partir de então, o ‘Dj’ era a mão.

E aí começou o show. O cenário foi dando lugar a outras imagens, sempre sincronizadas às músicas, claro.

perfeito

Shine on your crazy diamond. Tem jeito melhor de começar?

Algumas ótimas músicas depois, eis que volta a mão e sintoniza novamente a estação. Difícil adivinhar a próxima música? Para quem é fã (ou conhece um mínimo de Pink Floyd), não: Wish you were here, claro.

Este é apenas um dos exemplos de interação do cenário com a performance da banda – que merece mais do que destaque.

Esse show não teria sido muita coisa se estivesse lá só o Roger Waters. Não teria sido quase nada, na verdade, já que ele é baixista e vocalista de algumas músicas. Não conseguiria fazer muita coisa (será?). Que banda sensacional, seguiu a proposta por inteiro, sem desvios ou improvisos, sem erros ou mudanças. Sensacional.

Outro momento de excitação foi também a hora que soltaram o esperado porco gigante, com várias mensagens anti-bélicas e de paz em geral. Acompanhado ao porco, um canhão de fogo, ao lado do palco, soltando, vez por outra, labaredas gigantescas (tão grandes que esquentavam toda a galera presente!), que faziam um sinal de fumaça, e luzes alucinantes percorrendo todo o público. Tudo isso ao som de Sheep. A mensagem principal, algo como ‘Hey killers, live the kids alone’, realmente surte efeito sobre quem está lá, emociona. Tinham outras frases também, como ‘Bush, não estamos à venda’, ‘liberdade’, etc.

E acabou com um estrondo enorme, que mais parecia falha de som.

Mas acabou a introdução, apenas.

15 minutos depois, volta o espetáculo, agora para fazer o álbum Dark side of the moon completo, passo-a-passo, detalhe a detalhe. Sensacional. Sensacional. Sensacional.

Não dá nem para comentar esta parte do show. Pegue o álbum e ponha para tocar, você vai me entender. Ou não, espero.

Acompanhado a isto, o gigantesco telão, ajudando com imagens tão alucinantes quanto o som (nem tanto, né, olha o respeito).

No final, ele ainda agradeceu (em português) e foi ovacionado por minutos, sem intervalo (diferente dele, que fez 2, de quinze minutos cada – completamente compreensíveis, olhe a idade da peça!).

E, óbvio, voltou para um bis. Dessa vez chamou, ainda, o coral de crianças da UFRJ, que fingiu cantar junto a ele The Wall.

Tocou mais algumas ótimas músicas e se foi…

…deste show, porque da nossa memória, esse, que foi o melhor espetáculo que já presenciamos em nossas vidas, não sai nunca mais.

Obrigado, Rio de Janeiro.

Uma resposta

  1. Esse show deve ter sidooooo DE FUDERR! :D

    heheheheheheh

    bom d+

    Abs! =]

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